Temperatura
(água/ar) em sistemas aquáticos
(1)Biól.
Helcias Bernardo de Pádua
A temperatura é uma característica física das águas,
sendo uma medida de intensidade de calor ou energia térmica em transito, pois
indica o grau de agitação das moléculas.
Ao realizarmos investigações hidrológicas ou químicas
em uma massa d’água qualquer, também a análise de fatores físicos é
indispensável e a temperatura certamente é um de maior importância
entre essas variáveis, pois além de servir ao cálculo na determinação de
algumas variáveis, como pressão atmosférica, umidade relativa do ar, etc.,
interfere constantemente no cálculo da alcalinidade, da salinidade, do pH,
dos valores de saturação de oxigênio dissolvido, na toxidade de elementos
ou substâncias. etc.
Também, em geral, à medida que a temperatura aumenta, de
0 a 30°C, a viscosidade, tensão superficial, compressibilidade, calor específico,
constante de ionização e calor latente de vaporização diminuem, enquanto
que a condutividade térmica e a pressão de vapor aumentam a solubilidade com
a elevação da temperatura.
Portanto, a temperatura tem um efeito direto sobre a taxa
ou cinética das reações químicas, nas estruturas protéicas e funções
enzimáticas dos organismos, portanto as atividades biológicas dos organismos
aquáticos sofrem constantes alterações decorridas das freqüentes modificações
comportamentais do meio, como quando da elevação da temperatura, que
no caso os obriga a um consumo maior de oxigênio, já reduzido em sua
concentração na água, pelo próprio processo físico.
Os gases na água ou a solubilidade dos gases nos líquidos
é inversamente proporcional à temperatura, de modo que, quanto maior a
temperatura de um líquido, menor a possibilidade desse líquido reter os
gases. A pressão atmosférica e a altitude também interferem na concentração
de gases nos líquidos.
*Sabe-se que a elevação de 5°C na temperatura da
água, pode alterar em 50% os efeitos tóxicos de certas substâncias e
reduzir o tempo de sobrevivência dos peixes, crustáceos e rãs, residindo aí
o porquê da relativa freqüência de mortandades em regiões cujo o clima se
apresente com tendência à elevações bruscas e onde a qualidade da água não
possa ser considerada ótima.
Nos crustáceos (camarões), temperaturas maiores que 35°C
na água, ocasionam a morte e com menos de 20°C afetam o crescimento,
levando-os também a morte quando em graus inferiores à 15°C. Os valores
considerados como ideais para o desenvolvimento e crescimento de camarões de
água doce, estão situados no intervalo entre 24°C a 31°C e para as rãs
(anfíbios) em torno de 22ºC - 30ºC.
Temperatura maior que 30oC, provoca aceleração
da metamorfose, porém em detrimento do crescimento dos girinos/rãs, levando
à produção de imagos pequenos, recomendando-se que a temperatura da água
seja sempre entre 20 - 28oC. ( h.b.pádua)
O frio também causa a morte dos peixes, bastando uma queda
de 5ºC para que em poucos minutos esses organismos comecem a sofrer
retardamento nos seus movimentos e logo em seguida a inativação. Queda
brusca na temperatura causa choque térmico e, por conseqüência a morte e,
qualquer diminuição no grau de temperatura faz com que esses organismos
natantes, fiquem debilitados, portanto suscetíveis aos ataques de patógenos
diversos. Nos estados do sul do Brasil, onde ocorrem temperaturas mais baixas
e, principalmente bruscas variações, as doenças parasitárias são mais
freqüentes.
As rãs adultas são mais resistentes, porém os girinos e
imágos sofrem retardamento no desenvolvimento quando em meio de menor
temperatura, artifício atualmente muito utilizado pelos ranicultores, com a
finalidade de retardar a passagem (etapas) de desenvolvimento dos seus
girinos-imágos, visando um melhor manejo do plantel. Observa-se
desenvolvimento mais acelerado nos girinos, durante a primavera e verão,
quando comparado ao inverno.
A temperatura da água influi até na taxa de consumo
alimentar; trabalhos indicam que girinos a 250C botem ganho maior
de peso quando comparados com os mantidos a 150C, e que em maior
temperatura (25-260C) a metamorfose ocorre mais rapidamente, com
ganho no comprimento, peso e conversão alimentar.
Peixes como as tilápias, na sua maioria, tem como
temperaturas letais a faixa de 10 - 11ºC, já a 16ºC cessam de alimentar,
ficando mais suscetíveis a doenças e em torno de 20ºC tem sua reprodução
inibida. Também altas temperaturas como 36-40ºC induzem a doenças e
mortandades. A faixa ideal numa criação é de 29-31ºC, mas o bagre
americano chega a tolerar variações graduais que vão de 0ºC até 55ºC,
porém ficando inativos em temperatura abaixo de 10 ºC, desovando entre 20-23ºC
e crescendo melhor em 30ºC. As rãs toleram temperatura de até 38ºC na água
e 41ºC do ar.
(*)Alguns termômetros/medidores digitais de temperatura,
apresentam como unidade de leitura em "grau Fahrenheit" (ºF),
que no caso basta transformar o resultado para "grau Celsius"
(ºC), através desta simples seqüência:
(*) Para converter Fahrenheit em Celsius, subtrair 32 do
valor da leitura, dividir por 9 e multiplicar o resultado por 5; ou caso contrário,
(**) para converter Celsius em Fahrenheit, multiplicar o valor
da leitura por 9, dividir o resultado obtido por 5 e acrescentar 32.
O produtor pode e deve monitorar a temperatura do ar e das
suas águas do seu sistema de criação, mas o seu controle depende de artifícios,
nem sempre disponíveis, por isso, o produtor deve saber que o mais viável é
manter organismos adaptados préviamente ou de habitat natural já adequado ao
clima e variações metereológicas da região. Caso tenha que lançar mão
desses artifícios, o conhecimento prévio dos possíveis resultados físicos,
químicos e biológicos, deve fazer parte da sua rotina. (
h.b.pádua)
(1)
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