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Tucunaré

Calcários em sistemas aquáticos

Em sistema aquático de pH ácido ou rico de matéria orgânica, a correção ou calagem se faz necessária, mas com os devidos cuidados, quando em ambiente já com a presença de organismos. O correto é de ser aplicada apenas em solo seco ou tanque vazio e seco.

Utiliza-se a cal virgem (CaO-óxido de cálcio) ou o (Ca(OH)2 -hidróxido de cálcio-cal hidratada),em cerca de 5,0 kg/100m. Esta aplicação também se deve fazer como medida de desinfeção/expurgo do solo. A aplicação da cal virgem diretamente na água com os peixes, não é aconselhável, pela ocorrência de reações extremamente rápidas e exotérmicas.

Já a cal hidratada não apresenta liberação de calor, porém tem rápida solubilidade na água, portanto com aumento também rápido do pH, não favorável aos organismos criados.

O óxido de cálcio (CaO) ou cal virgem é produzido pelo aquecimento(alta temperatura) do carbonato de cálcio (CaCO3) (calcário), que em contato com a água forma o hidróxido de cálcio(Ca(OH)2, comumente conhecido como cal hidratada ou cal de construção. A cal virgem quando aplicada deve sempre ser precedida de uma hidratação.

Tanto a cal hidratada como a cal virgem são cáusticas, irritantes ao tegumento, (ocasiona descamação, erupção) e as mucosas, com aparecimento de ulcerações várias e problemas nas vias respiratórias, etc., portanto oferecendo situações estressantes aos organismos aquáticos.

Segundo especificações da AWWA/WCCodex (American Water Works Association/Water Chemical Codex), a cal virgem deve apresentar um mínimo de 90% de óxido de cálcio, o que para os peixes, etc., é elevada.

O primeiro efeito prejudicial do óxido de cálcio, (cal virgem) é que ele combina exotermicamente com a água, desencadeando processos físicos e químicos adversos, como alterações rápidas e drásticas nos possíveis efeitos tóxicos de outros elementos ou substâncias componentes ou dissociadas ao meio aquoso.

O hidróxido de cálcio(Ca(OH)2 apresenta ação menos pronunciada quando em solução, porém com rápido aumento da alcalinidade. Em águas mais quentes pode ocasionar danos irreversíveis ao tegumento e instalação de situações desfavoráveis como infeções e/ou infestações diversas.

Criadores de peixes tem relatado o aparecimento de queimaduras no dorso dos organismos, após a aplicação diretamente na água, tanto do cal virgem como da cal hidradata, quando os peixes ao nadar na superfície, se expõem a incidência solar.

O que é melhor e mais garantido, não ocasionando problemas ou situações irreversíveis é a aplicação do calcário dolomítico (carbonato duplo-Ca-MgCO3), também conhecido como calcário agrícola, na proporção de 10,0 kg/100m2, mantido em sacos próprios (embalagem tipo rafia); ai sim, lançados n’água e recolhidos quando do pH acima de 8,5, e/ou ao atingir-se a faixa de alcalinidade de 30 a 50 mg CaCO3 /l, considerada a de melhor resposta com relação a cinética em sistemas de criação aquática. Esse composto duplo apresenta baixa disolução na água, também dificultada pelas impurezas presentes, embora forme hidróxidos, portanto com menos pronunciado aumento do pH.

*A neutralização de um sistema, quando em ambiente ácido, consiste na adição de um outro produto, com pH oposto de modo a levar o pH próximo ao natural ao organismo aquático ( entre pH 6 - 8), ou então neutro. Em ambientes ácidos, normalmente são utilizados o carbonato de sódio (barrilha), a cal hidratada ou o bicarbonato de sódio e ainda o calcário dolomítico, sendo este último o mais seguro pela própria ação cinética dos seus compostos, ou seja, ocorrendo reações mais lentas, portanto mais fáceis de monitorar.

Em ambientes alcalinos, no acerto do pH, assim chamado, pode-se lançar mão do farelo de xaxim, esterco curtido de galinha ou qualquer outro material ou substância capaz de neutralizar bases. Para uma resposta mais rápida utiliza-se os superfosfatos. (triplo, etc.). Em situações mais caseiras ou de menor porte,(tanques pequenos, aquários, espelhos d’ água, etc., lançar mão do próprio vinagre (ácidos diluídos) e até a colocação na água de pedaços ou toras de madeira natural, secas, limpas e curtidas.

Cuidados devem ser tomados quanto aos cálculos das quantidades a serem lançadas dos neutralizantes, evitando-se inversão brusca no pH, o que fatalmente ocasionará muito mais danos ao sistema, representado um segundo impacto como um efeito cascata, não tolerado pela vida aquática.

Por exemplo, excesso de cal hidratada, embora solúvel, poderá se depositar no fundo do sistema, causando problemas físicos e químicos ao nível do sedimento e consequentemente aos seus normais habitantes, com danos a vegetação submersa e aos microrganismos existentes, com alteração na demanda química de oxigênio e até a resolubilização de metais pesados, se houverem, podendo desencadear a formação de novos compostos até mais impactantes que os próprios metais. Por isso, aconselha-se sempre a aplicação paulatina, monitorada e reservada de qualquer produto neutralizante, lembrando-se sempre que o valor do pH é obtido numa equação logarítmica, significando que a alteração no grau do pH é também logarítmica, portanto em curva parabólica e não simplesmente unitária. Uma água de pH 5 é 100 vezes mais ácida que a de pH 7 e não apenas 3 vezes mais ácida.

Não se deve aplicar a calagem quando o pH do solo estiver acima de 7 ou quando a alcalinidade da água for superior a 50-60mg/l. Águas salobras já apresentam alcalinidade total superior a estes valores, portanto não necessitando dessa aplicação.

Helcias Bernardo de Pádua e.mail:helcias@ifxbrasil.com.br

tel. 0xx11-3078-1120 - 0603

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