FERTILIZAÇÃO, ADUBAÇÃO E EUTROFIZAÇÃO EM AQÜICULTURA
*O termo eutrofização advém do
processo de fertilização em um sistema aquático através da elevação
de elementos limitantes como o fósforo, o nitrogênio, o carbono e às
vezes o potássio e até mesmo o silício.
A eutrofização pode ou não ser benéfica, aumentando a
produtividade primária, tornando o sistema ideal para a presença dos
consumidores (zooplâncton, moluscos, crustáceos e peixes), ou causando sérios
desequilíbrios com o superpovoamento de algas microscópicas.
(*) Literalmente, o termo eutrofização deriva do grego eu,
querendo dizer bom, verdadeiro e o termo grego, trophein, como nutrir.
Assim , eutrófico significa bem nutrido.
Originalmente, os termos eutrófico; mesotrófico e
oligotrófico, do alemão nährstoffereichere, mittehreiche,
e nährstoffarme, foram introduzidos por Weber, em l907, significando
respectivamente "bem nutritivo ou rico em nutrientes;
semi-nutrido e mal nutrido ou pobre em nutrientes;
ao descrever as condições de nutrientes dos solos pantanosos na Alemanha. Só
em 1919 é que o termo eutrofização veio para o âmbito da limnologia,
classificando os lagos no verão, como sendo água oligotrófica, se
fossem claros no verão e água eutrófica, se fossem turvas
devido à presença de algas.
No Brasil a palavra inglesa eutrophication foi
introduzida em l956, pelo professor Alfre-Bastsch, em curso ministrado, no
antigo DAE de São Paulo, e a partir desse evento, o prof. S.M.Branco, passou
a utilizar a palavra, em português, eutrofização. Entretanto, tem
sido usada erradamente, adaptada da palavra inglesa, como simples tradução
para eutroficação, portanto com o uso do sufixo icar,
utilizado para verbos frequentativo-diminuitivo, como é o caso de beber =
bebericar, etc., e não, o correto sufixo izar, que invoca verbos
indicadores de ação factativa, o qual deve-se apor ao substantivo eutrofia,
dando portanto o termo eutrofizar e eutrofização.
Dependendo da presença maior ou menor de elementos ou
compostos químicos, as águas podem apresentar-se como "mais ricas",
chamadas de eutróficas e, "mais pobres" as oligotróficas.
Em lagos de criação, considera-se os seguintes critérios: oligotróficos
, com fósforo total menor que 10 mg/l, ; mesotróficos, entre 10-20
mg/l e eutróficos , com fósforo total, maior que 20 mg/l.
HBPádua *Em
tanques de criação natural, o interessante é o produtor manter limites tróficos
entre o mesótrófico e o eutrófico, que no caso para peixes poderá suportar
com mais segurança, uma biomassa (massa total limite-de peixes) entre 150 kg/hect.
a 450 kg/hect. , dependendo da espécie criada. Em meio oligotrofico (águas
mais pobres) a biomassa máxima recomendada deve ser de 40 - 50 kg/hect., em mesotrófico
até 150 kg/hect. e em meio eutrófico (águas mais ricas) nunca superior a
450 kg/hect.
Números maiores implica utilizar técnicas ou meios de
recuperação física/biológica, (ex.: aeração mecânica, lançamento de
microrganismos recuperadores, etc.), onde então esta quantidade poderá
atingir 500-600 kg/hect. Porém, lembrando que uma grande produção piscícola,
significa elevada concentração de matéria orgânica, representada pelos
excretas e rejeitos alimentares, pois para cada 100 kg de peixes são
produzidos 6 kg de D.Q.O./dia.
*A mecânica comportamental dos compostos orgânicos
no solo dos fundos dos lagos e reservatórios e, consequentemente liberação
de nutrientes na presença de oxigênio, é essencialmente dependente da: atuação
de microrganismos aquáticos, especialmente os microbentônicos, das correntes
e dos fenômenos de estratificação, ou seja, da disposição de faixas de
temperaturas diferentes na coluna d’ água. Portanto, a simples presença do
lodo sedimentado, na verdade não funciona apenas como um reservatório ou
fornecedor permanente de nutrientes, garantindo ou com tendência à altas
concentrações de nitrogênio e fósforo na água.
Artificialmente, pode-se conseguir a redução de fósforo total e nitrogênio
total, em ambientes aquáticos, através da movimentação de suas águas
(injeção de ar, aumento da vazão, aeração mecânica, Tc), com a
possibilidade de manter-se o fósforo na forma solúvel.
HBPádua
(*)Conceitualmente existe diferença entre a fertilização
e a adubação, sendo que a primeira é quando compostos inorgânicos,
(uréia, superfosfato triplo, diamônio fosfato) são aplicados com o objetivo
de fornecer nutrientes (NPK), e/ou da alimentação por ração industrial. Já
a adubação se faz com a aplicação de adubos orgânicos/estercos/etc.
A adubação pode ser realizada com excretas de gado/suíno na
proporção de 50,0 kg/100m2 ou com o de aves-galinha à proporção
de 25,0 kg/100 m2 diluído em água e aplicado a cada 15 dias,
quando do tanque seco. HBPádua
A fertilização com superfosfato simples deve ser
feita na proporção de 0,6 kg/100 m2 e sulfeto de amônia a 0,4
kg/100m2 , aplicados a água em baldes perfurados. Um método prático
e seguro, tanto para adubagem como na fertilização é, lança-los na água
em sacos próprios (embalagem/tipo estopa), amarrados (abertura dos sacos)
numa extremidade da corda, sendo a outra à margem (parte seca), assim
mantidos na água até que se consiga o comportamento físico/químico ideal ,
com relação a coloração, transparência, pH, Tc, água levemente
verde-pardacenta e transparência de 0,30/0,40 m.
Segundo técnicos do CEPAR/Inst. Pesca-SP, deve-se evitar
estercos eqüinos e bovinos, por possuírem muita celulose, gerando resíduos
pela incompleta decomposição. Também, que a adubação ou fertilização
será prejudicada em águas cuja alcalinidade seja inferior a 20 mg CaCO
3 /litro.
A utilização de adubos (orgânicos) libera ácidos húmicos,
abaixando o pH e impedindo que o ferro a ser utilizado na fotossíntese fique
oxidado, com alterações de CO2 e da dureza da água-GH. Por outro
lado, o uso de fertilizantes (inorgânicos) ricos em óxidos e hidróxidos de
ferro (laterita), pouco ajudara, visto que o metal ferro ficara fixado no
substrato e dificilmente absorvido pelos vegetais, o que para isso terá que
ser quimicamente reduzido, com a ação das bactérias anaeróbicas, em
ambiente sem oxigênio, tudo isso antes do processo fotossintético.
Quando da fertilização interna (liberação de
nutrientes do sedimento em condições de baixa presença de O2),
pode-se utilizar a técnica de oxidação do sedimento com adição de
nitrato, agente oxidante, que favorecerá a mineralização da matéria orgânica
encontrada em forma reduzida no sedimento, impedindo a diminuição excessiva
da concentração de oxigênio nas camadas profundas do corpo d'água .
(*)Vale aqui um alerta que, ... não deva mais imperar
a idéia de se ter sistemas super/super eutrofizados,(água bastante
verde), visando uma maior carga de organismos da cadeia trófica inferior e
disponibilidade para outros organismos (peixes, por exemplo), visto as inúmeras
observações da ocorrência de prejuízos no desenvovimento morfológico ,
fisiológico, q1ualidade da carne e até morte desses organismos criados.
Também, a qualidade do efluente assim gerado "água de lançamento",
com certeza será crítica, ocasionando o que se chama de poluição gerada
pela atividade aquicola. Ainda mais; ... agora com a movimentação pela
"Cobrança do uso da água", com certeza, o diferencial entre a variável
"carga orgânica de origem, de uso e de lançamento" será sem dúvida
alguma, um dos ítens que apontarão o valor a ser pago pelo aqüicultor. HBPádua
Prof. Helcias Bernardo de Pádua
e.mail:helcias@ifxbrasil.com.br