Raios Luminosos = luz e calor.
Reflexões na aqüicultura
Cap. 01 Reflexão: (cs) sf. 1-
Ato ou efeito de refletir(-se) 2- Volta da consciência do espirito,
sobre o mesmo, para exame do seu próprio conteúdo. 3-
Ponderação, observação.
4.Fis. Modificação da direção de propagação de uma onda
que incide
sobre uma interface entre dois meios e retorne para o meio
inicial
-Minidicionário da Língua Portuguesa/Aurélio
Buarque de Holanda Ferreira. 1997 .
Uma das questões dos porquês, importância
e entendimento das variáveis físicas, químicas e biológicas em um sistema
aquático, em especial, na aqüicultura é sem dúvida alguma sobre à ação
comportamental dos raios luminosos no meio aquático.
Também sem dúvida alguma é ela a luz,
quer quantitativamente quer qualitativamente, que exerce influência decisiva
no processo importante para geração de energia e na presença do gás oxigênio
na água, que é a fotossíntese.
No meio aquático passa a ser o
principal fator limitante para o desenvolvimento dos organismos, em especial
os vegetais subaquáticos, com graduações de ação às várias
profundidades.
Também, por ser o meio aquático (água)
mais atingido pelas variações quanto à presença dos materiais orgânicos
ou minerais em suspensão ou dissolvidos; pela transparência; pela turbidez;
pela cor e pelos fatores físicos como um ambiente lentico (água parada) ou
em movimento (ambiente lótica), oferece portanto maiores dificuldades para
disposição da luz, quando comparado ao corpo aéreo (ambiente aéreo), este
último se apresentando mais transparente e sem grandes dificuldades de
penetração dos raios luminosos.
Outro aspecto interessante é que a
massa d’ água absorve relativamente muito mais radiações da parte
vermelho-alaranjada do expectro que as radiações verde-azulada, o que lhe
oferece condições qualitativas para presença da luz, logicamente advindo
dos fatores quanto a turbidez e cor da água. Isso sem contar com os
coeficientes de absorção nas águas, que variam de acordo com as substâncias
presentes, em suspensão ou dissolvidas.
A superfície de um lago ou de um tanque
de criação apresenta-se quase que perfeitamente plana e livre de rugosidades
ou porosidades, capaz de absorver grande parte das radiações incidentes, porém
dependendo da sua coloração ocorrerá variações e preferencias quanto a
penetração dos mesmos, (capacidade de refletir os raios).
Tal capacidade de penetração, depende
ainda mais do ângulo de incidência com que esses raios atingem a superfície
d’ água, chegando a refletir até 20% do total de radiações nos momentos
onde o ângulo solar for menor. Em média, durante um dia todo, esse total de
radiações refletidas ou dispersas pela massa d’ água, tal porcentagem
chega a 5 ou 6% do total das radiações incidentes, durante o inverno e
durante o verão, em cerca de 10%, logicamente nas regiões de menor e variável
incidência luminosa, como o sudeste e sul do Brasil, aplicando-se cálculos
empíricos.
As radiações que conseguem atravessar
essa superfície, ou penetrar na massa d’ água, se dividem em duas ordens físicas
distintas: uma que é a luz e que vai diminuindo em quantidade a
medida que atinge maior profundidade, ao mesmo tempo mudando de qualidade; a
outra é o que chamamos de calor sendo também absorvido
pela água, portanto sofrendo diminuição. Alguns autores admitem ser a
disposição do calor um fator mais limitante que a luz. Calcula-se, em função
da temperatura como também da capacidade de penetração de luz, que a maior
eficiência é obtida numa profundidade em torno de 60cm a 1,0 m e que em relação
ao calor a melhor distribuição obtida é na faixa de 60cm.
Apontamos aqui, mais um porque de se
considerar como medida ideal no "disco de Secchi" para
transparência em criação de peixes e em regiões de média intensidade
luminosa (por exemplo, o sul/sudeste do Brasil), os valores entre 30cm a
40cm., lembrando que tal medida no disco de Secchi, indica a profundidade máxima
que o raio luminoso atingiu sendo amparado pelo "disco" ou seja: na
verdade o raio luminoso percorreu cerca de 2 vezes essa distância, em relação
ao olho do observador. Em regiões de temperatura média mais elevada e, de
maior intensidade luminosa, essa medida de profundidade, tanto para a luz como
para a melhor distribuição de calor é sem dúvida alguma bem maior,
situando-se em cerca de 1m de profundidade.
Camadas mais próximas a superfície
d’ água tendem a serem mais ricas em luz, calor e oxigênio produzido pela
fotossíntese; logicamente com considerações em relação a presença de
material em suspensão ou pigmentos em solução. Em regiões mais profundas,
inferiores, certamente haverá deficiência de luz, a qual passará a
constituir um fator limitante. Aqui deve-se reafirmar que nas áreas onde a
incidência luminosa (raios solares) for maior, considerando as mesmas
proporcionalidades com relação aos fatores de turbidez, cor, dissolvidos,
etc., maior será a capacidade de penetração da luz e do calor, com relação
a profundidade a ser atingida (profundidade de extinção da luz).
Em ambientes naturais, a luz proveniente
do Sol, à medida que se aprofunda na massa líquida sofre variações quer de
intensidade, quer de qualidade, sendo responsável por um certo "clima de
luz", característico de cada profundidade e que varia, também, com a
quantidade e natureza das substâncias que existem em suspensão ou solução
na água. É isso que se pode chamar de " capacidade de penetração das
radiações " no meio líquido. Essa retenção, por assim dizer, também
ocorre em uma massa d’ água com grande grau ou máximo grau de transparência,
como em água destilada.
(#) artigo baseado em:
Piscicultura e qualidade das águas no Estado de São Paulo/art.téc.;Helcias
B. de Pádua-CETESB,1982
Hidrobiologia aplicada à engenharia sanitária, Samuel Murgel Branco/Água-CETESB,
1998
Helcias Bernardo de Pádua
helcias@ifxbrasil.com.br
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