DUREZA TOTAL DAS ÁGUAS NA AQÜICULTURA = DH/GH
O termo "dureza total das águas"-DH/GH, (Deütsch
Hardness/Generall Hardness) , corresponde a variável que indica o total
dos sais, principalmente de cálcio e magnésio, dissolvidos na água. Quanto
maior a quantidade desses sais presente, maior é a sua dureza.
Conforme sejam as suas concentrações, sobretudo
representada pelo carbonato de cálcio, pelo sulfato de cálcio ou pelos sais
de magnésio, as águas são ditas calcárias, seleniosas ou magnesianas.
* A dureza total da água é a somatória de
outras duas variáveis/durezas: a dureza permanente(...de não
carbonatos) e a dureza temporária(... em carbonatos).
A chamada dureza de não carbonatos (permanente),
contem p.ex.: os sais de sulfato de cálcio e magnésio, assim como o nitrato
e cloro, que são altamente solúveis, portanto componentes relativamente
estáveis na água.
Já adureza em carbonatos- KH (temporária),
representada por uma fração de baixa solubilidade, portanto a parte instável,
uma vez que os sais envolvidos são os carbonatos de cálcio e magnésio.
* Pode-se utilizar a dureza em carbonatos para se ter idéia
da alcalinidade da água, pois que na análise desta
última variável, determina-se os teores de hidróxidos de carbonatos e de
bicarbonatos, em solução, expresso em carbonatos de cálcio. A
alcalinidade representa a capacidade da água em aceitar prótons.
Também, a dureza em carbonatos, funciona como um indicador
da estabilidade do pH, ou seja quanto maior, mais estável será o pH da água,
devido ao fato de apresentarem os carbonatos e bicarbonatos, efeito tamponador,
evitando-se alterações brusca no pH.
Atenção:
- Duas amostras de água com dureza total idênticas podem ser diferentes
quanto às suas composições em sais, e isso fica bem claro quando se mede
também a dureza em carbonatos-KH.
- Para se obter a chamada dureza de não carbonatos(permanente)
em uma amostra, basta subtrair do resultado obtido na análise de dureza
total, o valor obtido na análise de dureza em carbonatos, quando em
determinação laboratorial. (*#) alguns kits comerciais fornecem instruções
de como obter a dureza de não carbonatos(permanente), quando da determinação
das outras durezas. h.b.pádua
No Brasil, utiliza-se a unidade ppm CaCO3 ou
mg/l CaCO3, para exprimir-se a dureza total, já na Alemanha usa-se
"grau hidrotimétrico", sendo que um grau alemão (Deütsch
Hardness), corresponde a l8 ppm (partes por milhões) de CaCO3/l
de água. Existe uma unidade internacional, o miliequivalente (meq), e 50 ppm
corresponde a l meq. Outras unidades também são utilizadas, como "grau
francês"; o " T.H.", o inglês ou americano, cabendo portanto
saber-se distinguir os equivalentes.
Alguns kit(s), apresentados no mercado nacional, oferecem
determinações em escala de DH por unidade francesa, ou seja, variando de 1 a
10, que no caso basta multiplicar o valor encontrado (método colorimétrico),
por 10, transformando-o em grau hidrostático, utilizado no Brasil.
Atenção:
-Águas com até 50 mg de CaCO3 por
litro-(dureza total), são consideradas"muito moles"; de 50 a l00
mg, "moles"; de 100 a 150 mg, "ligeiramente dura"; de 150
a 250 mg, "meio dura"; de 250 a 350 mg, "dura" e de 350 mg
para cima, "muito dura".
-Para a dureza em carbonatos(KH), são considerados
aceitáveis os valores entre 25 a 60 mg CaCO3/l(pH de 6,8 a
7,4)para a maioria dos organismos aquáticos dulcícolas. Nos marinhos, (pH
8,2-8,3) os valores aceitáveis estão entre 65 e 10O mg CaCO3/l .
-Quanto a dureza total(DH/GH), os peixes brasileiros
vivem melhor em águas moles, ou seja, em torno de 50-80 mg CaCO3/l.
Já os crustáceos (camarões) necessitam de DH maior, em torno de 100-180 mg
CaCO3/l e algumas bibliografias indicam um DH igual a 150 e para a
fase de girino/rãs a concentração tolerável vai de 150-250 mg/l.
-Dureza maior das águas, causa sérios danos em certas
criações, em especial na fase de girino e imago (rã) e nas mudas (crustáceos)
sendo os seus efeitos nem sempre são diagnosticados de imediato e, na maioria
das vezes, sem oportunidade de neutraliza-los. Um dos sinais do alto grau de
dureza de uma água é a formação de lâmina esbranquiçada, próxima à
parede do tanque, resultante da evaporação superficial e conseqüente acúmulo
do composto.
Quanto maior a evaporação d'água, mais acúmulo do
composto (lâmina), chegando a aderir-se à parede do tanque. Neste caso, um
dos recursos utilizados é aumentar a movimentação, aumentando assim a
evaporação da água, procedendo-se a retirada imediata do excesso formado na
parede do tanque. Esse procedimento é trabalhoso e nem sempre favorável.
Na realidade o que ocorre é que com aumento de movimentação,
o gás carbônico dissolvido é transformado em bicarbonato de cálcio solúvel,
que em temperatura mais elevada, transforma-se em carbonato de cálcio, quase
insolúvel, impregnando-se às paredes do tanque. Logicamente este
procedimento não é aconselhável em áreas frias e para tanques com solo
naturalmente rico em cálcio e magnésio, mas é bastante aconselhável para
tanques pequenos e com fundo de material, (cimento).h.b.pádua
A construção de tanques em terrenos com altas concentrações
de cálcio e magnésio no solo, ou a utilização de águas excessivamente
duras, deve ser evitada, embora os peixes criados muito tempo em cativeiro,
sejam de maneira geral bastante flexíveis a esta variável, no entanto não
procriando em água com diferente grau de dureza, daquela que normalmente
ocorre no seu habitat natural.
Sinais de excesso de Ca/Mg ou valor maior na variável
dureza da água é o aparecimento de "queimadura no tegumento dorsal do
peixe", ocasiona pela sua permanência na superfície da água ,
expondo-se assim a um contato maior com os raios solares e favorecendo reações
com esses elementos. Lembrar que águas de maior dureza, apresentam menores
concentrações de oxigênio, por serem mais pobres em elementos orgânicos,
desfavorecendo a fotossíntese e portanto a presença de oxigênio na água.
O controle dessas variáveis é dispendioso, podendo
acarretar reações químicas, não favoráveis a criação. Em último caso,
lançar mão de filtros "caixa" contendo carvão ativado. Quando se
trata de pequenos tanques de eclosão, estufas, etc., pode-se usar água
destilada a 50% ou diluir com água obtida do descongelamento do gelo, até
que se obtenha dureza (DH) desejada. Águas com dureza elevada e na presença
de altas concentrações de fosfatos, ocasionam morte de pós-larvas de camarões
e prejudicam a troca da carapaça dos adultos. Larvas em geral e girinos de rãs,
chegam a morte em águas com DH elevado.
Mas quando em DH baixo, deve-se utilizar os bicarbonatos ou
então a aplicação de calagem (calcário dolomítico-10 kg/ 100m2
ou cal viva- 05 kg/100m2). Esse recurso é indicado também para
correções de pH e alcalinidade, quando de águas muito turvas (pouca
transparência). Por outro lado, águas pobres em cálcio e fósforo ocasionam
fraquezas nos ossos de rãs, com conseqüente má formação e possibilidade
de fratura. Nos crustáceos ocasiona retardamento e não formação correta da
carapaça. h.b.pádua
Helcias Bernardo de Pádua
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