A Água - Reflexões
- Sabemos que a água está diretamente presente em todos os seres vivos
ou, mesmo, constituindo o habitat natural de muitas formas de vida. O filósofo
Tales de Mileto, que viveu na Grécia Antiga (há mais de 500 anos A.C.),
pensava que a substância original ou o princípio básico (arché) das
coisas era a água e, hoje, muitos cientistas acreditam que as primeiras
formas de vida, em nosso planeta, tenham efetivamente surgido nos oceanos.
Talvez por esta razão, as pesquisas em desenvolvimento pela NASA, quanto
às possibilidades de vida fora da Terra, sempre iniciem pela verificação
da existência de água nos corpos celestes pesquisados.
A água cobre mais de 70% da superfície terrestre e é
vital para toda a vida no planeta. É a substância mais abundante da
natureza, ocorrendo: nos rios, lagos, oceanos, mares e nas calotas polares. Na
atmosfera ocorre na forma de vapor de água, podendo atingir num local até
4%, em volume; é a chamada umidade relativa.Ela é incolor, insípida e
inodora, líquida à temperatura ambiente, formada de átomos de hidrogênio e
oxigênio, agrupados em moléculas. As moléculas se agregam na sua superfície
formando uma espécie de película, devido a tensão superficial resistente o
suficiente para suportar um mosquito, que de outra maneira afundaria. Elas
também se agregam à moléculas de outras substâncias: é a maneira como a
água molha as coisas.
A gota de água se apresenta com aspecto redondo, formada
por inúmeras outras gotículas menores, agrupando suas moléculas. Essa formação
arredondada é por causa da tensão superficial que faz com que as moléculas
da superfície externa sejem "puxadas" para dentro, gerando o
formato de esferas, ou seja, as moléculas da camada superior são atraídas
apenas pelas moléculas de baixo.
Tipos de Águas Naturais
Água de chuva: é a mais pura, por resultar de um processo
de destilação simples a não ser quando alterada pelo próprio homem, como
eliminação de gases tóxicos.
- Água de Fontes: Contém até 0,20/00 de sais
dissolvidos. As águas de nascente ou fonte, são pobres em matéria orgânica.
As chamadas águas minerais ou termais são originárias de nascentes com
porcentagens maiores de sais dissolvidos.
- Água de Rios: Com menos de 350/00 de sais
diversos. Contém sais minerais e matéria orgânica, carreados e acumulados
no percurso, desde a nascente. Aqui se incluem as águas própriamente doces
e salobras dos rios.
- Água do Mar: Possui aproximadamente 35% de sais, entre os diversos,
destaca-se o Cloreto de Sódio (NaCl) e o Cloreto de Magnésio (MgCl).
- Água Dura: Contém bicarbonato ou sulfato de cálcio ou magnésio:
CaSO4 ou Ca(HCO3)2. Essa água favorece a
calcificação das estruturas osseas, dos dentes, das carapaças, etc dos
organismos.
*. Segundo o CONAMA/Br, "... considera-se águas doces
aquelas com salinidade de até 0,50/00; salobras de até
300/00 e salinas de igual ou superior a 300/00
"
As necessidades de água para a sustentação da vida
humana não se restringem tão somente à água consumida diretamente pelas
populações para sua subsistência. Tem-se um extenso rol de outros consumos
tais como aqueles relativos à higiene pessoal, à preparação de alimentos,
aos serviços de limpeza, à agropecuária, etc e todas as conseqüencias do
incremento nos padrões da vida urbana e rural contemporânea.
Nas áreas rurais, a questão deve ser considerada e
estudada com carinho, se não vejamos: estudos da própria ONU indicam que
para cada 1 tonelada de grãos produzidos, são necessários mil toneladas de
água e para ser ter mil quilos de peixes, os mesmos foram envolvidos e
nadaram em 10 milhões de litros d’água. Parece incrível, mas é verdade.
Até o final do século XX, em 1998, apenas 47% das cidades
brasileiras coletavam parcialmente seus esgotos domésticos e deste montante
cerca de 90% eram literalmente lançados nos rios e 70% dos efluentes
industriais sendo disponíveis no ambiente, sem sofrerem qualquer tratamento.
Também a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo, por
exemplo, conseguia tratar apenas 23% dos esgotos coletados, tendo planejamento
e estrutura de poder tratar naquele momento, até mais de 50% dos mesmos.
Salientamos que vários são os destinos dessas águas, desde à um sistema
qualquer de tratamento, reutilização diversa, ou mesmo despejadas em outros
corpos, tanto de agua doce, como no mar.
*Prevê-se que no ano 2025 dois terços da população
mundial estarão vivendo em regiões com recursos hídricos insuficientes com
consequência de um grande aumento populacional, e que para produzir
alimentos, será necessário que o volume de água disponível cresça de 50%
a 100%. O estudo mostra também que as 200 bacias hidrográficas mais
importante do mundo estão localizadas em fronteiras, o que pode caracterizar
a possibilidade de conflito entre países próximo.
Uma análise recente do problema de água em quase 150 países,
levou as Nações Unidas, considerar que crise de água é quando o potencial
disponível for inferior a 500m3/hab/ano; taxa entre 500 a 1000m3/hab/ano
caracteriza nível de estresse e taxas entre 1000 e 2000m3/hab/ano
são consideradas como suficientes para um nível de vida adequado à produção
e usufruto, e que acima de 2000m3/hab/ano significa condição
muito confortável.
O Brasil apresenta-se, tendo como base uma população de
160 milhões de habitantes, e com as atuais descargas de seus rios, um
potencial de 35mil m3/hab./ano; além do que, as nossas reservas de
águas subterrâneas, estimadas em 11200 km3, têm uma taxa explotável
da ordem de 5000m3/hab./ano.
O Brasil detém cerca de 20 % das águas doces do mundo e só
na Amazônia estão concentradas mais de 80% das disponibilidades hídricas
nacionais, enquanto que no Polígono das Secas, na região do semi-árido que
representa 12 % do território brasileiro, as carências hídricas são
extremas e compõem um quadro de pobreza quase absoluta e que, infelizmente,
ainda não se aplicou condições mínimas de equacionamento. No período
1970-1992, o PIB desta região cresceu apenas 0,08 % ao ano, enquanto que nas
regiões metropolitanas do país, no mesmo período, alcançou 8,2 % ao ano.
(ou seja, mais de 100 vezes).
Este país que detém hoje cerca de 2,8 % da população
mundial, terá uma posição privilegiada no cenário de escassez de água que
se desenha para o século XXI, desde que saiba gerenciar adequadamente estes
recursos, bastando-lhe, para isto, apenas cumprir as disposições da Lei Nº
9.433/97, que estabeleceu a Política Nacional de Recursos Hídricos.
Dos países de dimensões continentais, como o Canadá,
Estados Unidos, China e Austrália, o Brasil é o único de clima tropical úmido
dominante, (80% do seu território), com 7% situados abaixo do Trópico de
Capricórnio e apenas 10% sob clima tropical semi-árido. Mais de 90% do
território recebe de forma relativamente regular, abundante chuva, entre 1000
e 3000 mm/ano e, que em apenas na sua zona semi-árida chove entre 500 e 800
mm/ano, porém muito irregularmente, resultando em déficit freqüente de água.
Deve-se ver que a água doce no Brasil é um valioso
capital ecológico (uso, reserva e negociação) portanto de enorme valor
competitivo, devendo ser altamente considerado em qualquer atividade
produtiva, em especial na aqüicultura.
Lembramos, mais uma vez que 3/4 da superfície do nosso
planeta é ocupada por água, sendo apenas 5% de água doce e que a ONU,
preocupada com questões, a nível mundial, das águas e dos riscos e as
conseqüências da escassez quantitativa e qualitativa da mesma, vem desde
1998 desenvolvendo pela UNESCO, o programa Ética e Sociedade, através de
estudos específicos com o Grupo de Trabalho Ética e Água visando
diagnosticar e traçar orientações quanto a disposição, uso e reuso desse
notável recurso.H.B.Pádua
"H.B.P."
- Assessoria Técnica - Aqüicultura
Organismos Aquáticos e Qualidade das Águas
(amostragem, análise, monitoramento, interpretação,
projetos, recuperação, reuso, doenças, cursos, palestras)
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(*) artigos técnicos do prof."Helcias"
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Biól. Helcias Bernardo de. Pádua
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