AGUAPÉ - PLANTA AQUÁTICA NO CONTROLE E REMOÇÃO DE
NUTRIENTES E OUTROS COMPOSTOS EM PISCULTURA E PESQUEIRO
Devido a necessidade de alta produção, rápido
crescimento e obrigatórias correções químicas e orgânicas, a capacidade
de auto-depuração em sistemas de manutenção e criação de peixes, tende a
diminuir.
Uma das alternativas a serem utilizadas é a aplicação de
plantas aquáticas, do tipo aguapé (Eichornia crassipes), suculento
vegetal,(95% de água), com raízes longas, (até um metro), rizomas, estolões,
pecíolos, folhas e inflorescências, podendo atingir uma altura variando
desde alguns centímetros fora d’água, até um 1metro. Se apresentam
suspensas (flutuando livremente) ou mesmo enroscadas em obstáculos e prezas
ao solo em locais de água rasa e até enraizadas em áreas consideradas
secas. Todas as partes, com exceção da semente, têm gravidade específica
inferior a 1, e, por conseqüência, com enorme poder de flutuar. A reprodução
ocorre num processo vegetativo, ou seja, novas plantas são produzidas por
estolões, e o seu crescimento lateral ocorre a partir do rizoma.
Duplicam-se em até duas semanas, portanto quando em situações
ideais, 10 dessas plantas podem cobrir 1 acre (pouco menos de ½ hectare,) em
apenas 10 meses. Apresentam grande capacidade de regeneração, mesmo quando
trituradas ou quebradas (o rizoma regenera nova planta, dependendo do tamanho
do fragmento).
Quando as flores murcham, ocorre também uma autopolinização,
através do dobramento, espiralamento e afundamento das suas espigas na água,
dispersando suas sementes que só se liberam no início da estação fria,
embora a planta floresça o ano todo. Tais sementes permanecem viáveis por
mais de 7 anos.
O aguapé serve de abrigo natural à organismos de vários
tamanhos e aspectos, oferecendo habitat a uma fauna bastante rica, desde
microrganismos, moluscos, insetos, peixes, anfíbios, répteis e até aves.
A planta é utilizada como depuradora, retentora e
removedora de nutrientes como o fósforo e o nitrogênio, com acentuada redução
do DBO/DQO das águas; também de metais como o cádmio, o níquel, o mercúrio,
o chumbo, a prata, o cobalto, o estrôncio e dos fenóis, por exemplo, além
de diminuir consideravelmente a concentração de algas e coliformes, por
adsorção em suas raízes, tornando as águas mais limpas e adequadas.
O aguapé removido de sistemas de manutenção e criação
de peixes, é utilizado como alimento para outros animais, fertilizante e
adubo para solos e matéria prima do biogás. Atenção:
plantas originárias de sistemas receptores de efluentes agrícolas, esgotos
domésticos e/ou industriais, não devem ser utilizadas como
alimento/ração ou fertilizantes.
Com todos esses aspectos, o aguapé torna-se uma boa
alternativa na piscicultura/pesqueiro, desde que se tenham condições
adequadas de retenção ou cercado, (a planta deve sempre estar concentrada em
um ponto final da correnteza ou ação do vento); de colheita ou remoção
manual ou mecânica, com a utilização de ancinhos, dragas, forquilhas,
condutores flutuantes, esteiras, etc..
Lagoa de filtração, preenchida por aguapés, recebedora
das águas de lançamento (oriundas dos tanques), pode ser instalada, em forma
simples de um tanque (mínimo de 10% do volume total das águas dos tanques de
criação) ou em ziguezague, que promove um tempo de filtração maior pelo
aumento da retenção e comprimento na circulação das águas, além de
facilitar o acesso para remoção e controle das plantas.
Não se aconselha a utilização e presença de aguapés em
lagos extensos, em represas com possíveis remansos ou mesmo tanques de dimensões
maiores, pelas dificuldades de remoção e controle.
O material destruído ou retirado não deve permanecer à
beira do lago de criação ou dentro deste, evitando-se sua decomposição,
disponibilização orgânica e conseqüente desoxigenação (diminuição do
teor de oxigênio dissolvido) e eutrofização (aumento de nutrientes) das águas.
O controle biológico é efetuado por espécies de peixes,
como a própria "carpa capim". A utilização de produtos químicos
(herbicidas, etc.) não é recomendado e deve ser evitado quando em sistemas
de criação e manutenção de peixes comestíveis.
Helcias Bernardo de Pádua (*)
(*) Biólogo, especialista em qualidade das
águas
helcias@ifxbrasil.com.br
/ 0xx11-3078.1120
Bibliografia de referência
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crassipes [ Mart.] Solms)
sobre as condições físicas, químicas e biológicas da água de tanques de
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Anais do 2º SIMPÓSIO Nacional de Ecologia (no
prelo-CETESB/SP)
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